1 de setembro de 2020

O Abuso de Menores e a Violência Religiosa

Nós, a equipe do podcast Horizonte Espírita, queremos expressar publicamente nosso profundo pesar e nosso repúdio aos problemas do abuso de menores e da violência religiosa no Brasil. Ambos problemas são graves, amplos e cotidianos, mas ganharam projeção no último mês em virtude do caso que ficou conhecido como “o caso da menina de dez anos”.

Lamentamos profundamente a violência sofrida pela criança, causada por seu agressor direto e pela omissão da sociedade civil e do poder público em prevenir o abuso de menores. Adicionalmente, como espíritas, fazemos nossos votos e vibrações para que essa criança seja acolhida e protegida desta vez e desejamos que ela seja assistida de modo digno para que possa se recuperar do trauma vivido.

Sobre esse caso, também expressamos nosso repúdio à série de crimes cometidos por atores da sociedade civil liderados por políticos e religiosos. Referimo-nos à divulgação dos dados pessoais da criança, infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente e às ofensas e o tumulto causados na porta do hospital contra a menina e os médicos que fariam o procedimento de aborto legal. Ressaltamos a legitimidade da previsão legislativa da possibilidade de interrupção gestacional em caso de gravidez causada por estupro, e também o risco aumentado à vida da criança de dez anos pela gestação.

As infrações legais cometidas pelos grupos intitulados “pró-vida”, os quais se mobilizaram com retórica e ritualística religiosa, serão averiguadas pelas autoridades responsáveis, porém, do ponto de vista ético, afirmamos que não compactuamos com os atos de hostilidade, punitivismo e desrespeito ao livre-arbítrio vindos desse grupo militante. Entendemos que essas atitudes derivam de interpretações incorretas da tradição fundada por Jesus de Nazaré.

 As atitudes desses grupos podem ser enquadradas como fundamentalismo religioso e violência religiosa, aos quais nós, pertencentes ao campo do espiritismo, nos opomos veementemente. Reafirmamos que nosso compromisso no podcast Horizonte Espírita é promover reflexões sobre o espiritismo que sejam críticas, plurais,  éticas e responsáveis, o extremo oposto do que o grupo de ativistas envolvidos no “caso da menina de dez anos” promoveu.

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